Chantilly é o grande domínio rural dos príncipes de Condé, situado nas florestas do Oise, a cerca de 40 quilómetros a norte de Paris — um castelo rodeado por água, uma coleção de arte principesca de primeira grandeza, cavalariças monumentais construídas para um homem que acreditava que renasceria como cavalo, e jardins traçados pela mesma mão que desenhou Versalhes. Onde tantos castelos franceses são admirados apenas pela sua arquitetura, Chantilly é admirado sobretudo pelo que guarda: o Museu Condé, cujas pinturas, desenhos e manuscritos fazem dele, por consenso geral, a segunda coleção mais rica de mestres antigos em França, depois do Louvre.
A propriedade deve a sua forma moderna a Henrique d'Orleães, Duque de Aumale — filho do Rei Luís Filipe — que reconstruiu o castelo no século XIX e passou a vida a reunir a sua coleção. Na sua morte, em 1897, legou todo o domínio à nação, com uma condição extraordinária: que as obras fossem mantidas exatamente como ele as pendurara, nunca vendidas, nunca emprestadas, nunca reorganizadas. O resultado é um museu congelado no gosto do seu criador — cerca de 800 pinturas expostas lado a lado, no denso estilo do século XIX, incluindo obras de Rafael, Poussin, Ingres e Delacroix, e, no Cabinet des Livres, o célebre livro de horas medieval conhecido como Très Riches Heures do Duque de Berry. Devido ao testamento do duque, estas obras-primas não podem ser vistas em nenhum outro lugar do mundo.
Para além das galerias, Chantilly é um dia inteiro ao ar livre. As Grandes Écuries — as Grandes Cavalariças — estão entre os edifícios de cavalariças mais magníficos da Europa, erguidos no século XVIII à escala principesca e atualmente lar do Museu Vivo do Cavalo, com as suas demonstrações equestres sob uma cúpula imponente. O parque, desenhado por André Le Nôtre, desdobra-se em parterres formais, um longo Grande Canal e recantos mais tranquilos como a aldeia anglo-chinesa que inspirou a de Maria Antonieta em Versalhes. E foi aqui que o creme Chantilly — crème Chantilly — ganhou o seu nome, uma nota doce numa propriedade principesca que é monumento histórico classificado e uma das grandes casas de França. O castelo é visitado com hora marcada; o resto da propriedade é seu durante o dia.